Estudantes Itatiense surpreendem com inovações e tecnologias sociais em Salvador

A inovação e a tecnologia social, de baixo custo e de grande alcance social, são duas características marcantes dos projetos apresentados por estudantes da rede estadual de ensino na Mostra da Feira de Ciências, Empreendedorismo e Matemática da Bahia (FECIBA), que está sendo promovida, a partir desta segunda-feira (25) até quarta (27), pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia(SEC), no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador, capital do Estado. A mostra reúne 23 projetos de iniciação científica desenvolvidos em sala de aula e será aberta oficialmente, nesta terça-feira (26), às 9h. Entre as inovações apresentadas estão biocombustíveis elaborados com borra de café, com o fruto da quixabeira e com o óleo de soja saturado.

A mostra é aberta ao público. Nos estandes montados no IAT, que faz parte da estrutura organizacional da SEC, os visitantes também poderão conhecer experiências como a pomada cicatrizante feita com a casca da jurema preta; o creme dental a base de juazeiro, o óleo de licuri; a ração para cachorros natural e livre de conservantes; e o bloco ecológico feito com a fibra de coco. Os resultados da iniciação científica também dizem respeito à identidade étnica e cultura dos Territórios de Identidade, com projetos voltados, por exemplo, à religião de Matriz Africana e à importância da Feira Livre para as comunidades locais.

Graças à relevância social dos projetos, uma comissão julgadora selecionará alunos expositores que receberão bolsa de Iniciação Científica Junior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (ICJ/CNPq), para darem continuidade às suas pesquisas. Além disso, a programação que marca o início das atividades do Ciência na Escola, neste ano letivo, inclui palestras, oficinas sobre temas como Empreendedorismo e Saúde e Meio Ambiente, além de formação com o Instituto Alana e videoconferência sobre “Ciência na Escola e IDEB: que relação é essa?”, com a Atina Educação.

Protagonismo
Os estudantes, que vieram de várias regiões da Bahia, estão apresentando detalhes dos projetos durante a mostra. Os alunos Marivaldo Mendonça e Jéssica Batista, ambos com 17 anos e cursando o 3º ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Geovana Nogueira Nunes, no município baiano de Itatim, apresentam o biocombustível a partir dos frutos da quixabeira. “Nosso objetivo é criar pequenas áreas de reflorestamento e uma política de conscientização, na qual os resíduos retornam para a natureza sem agressão ao meio ambiente. Com este trabalho, chegamos à conclusão que o uso da flora como matéria prima para a criação de biocombustíveis é muito importante para os seres humanos. Provamos que a quixaba apresenta ótimos resultados para a produção de biocombustível mais sustentável”, afirmou Marivaldo.

A professora de Química e orientadora, Karine de Jesus, complementou: “A ideia de pautarem a pesquisa neste tema partiu deles e o mais importante foi perceber o senso de empreendedorismo e de protagonismo deles na busca de soluções de problemas sociais. Eles também são muito proativos, então se não têm um destilador, por exemplo, eles mesmo o produzem”.

Já as estudantes Amanda de Jesus, 17, e Maria Eduarda Oliveira, 16, ambas do 3º ano do Colégio Estadual Luís Cabral, no município de Canudos, autoras do projeto “Creme dental à base de juazeiro: uma alternativa de higiene bucal a ser implementada na Educação Infantil em Canudos”, destacaram a importância do juazeiro, árvore tipicamente sertaneja, símbolo da caatinga e adaptada ao clima semiárido. “Começamos a estudar essa árvore e vimos as suas propriedades analgésica, anti-inflamatória, antibacteriana, febrífuga e cicatrizante. Com isto, decidimos criar um creme dental de origem natural, sem aditivos químicos, para implementar em escolas

da Educação Infantil de Canudos”, detalhou Amanda. A colega Maria Eduarda complementou: “Como o juá tem um sabor amargo, inserimos sabor para que as crianças não rejeitem”.

A coordenadora do projeto Ciência na Escola, Shirley Costa, falou sobre a Educação Científica na rede. “Percebemos o quanto esses meninos têm, com criatividade, determinação e autonomia, ido buscar soluções para problemas de suas comunidades, bem como o diálogo com o poder público de suas cidades. Isto, para nós, é a recompensa do trabalho, o resultado do esforço que a Secretaria vem fazendo para implantar a Educação Científica em todo canto da Bahia”.

Sobre o Ciência na Escola
Com o objetivo de promover educação científica nas escolas estaduais, a partir do protagonismo estudantil, o Programa Ciência na Escola é uma ação estratégica da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, que atua em cinco dimensões: disseminação de inovações tecnológicas na educação; formação de professores integrada a prática escolar; orientação e acompanhamento da gestão pedagógica; promoção do desenvolvimento endógeno local; e produção, divulgação, popularização e apropriação das tecnociências. Desta forma, o programa visa inovar e diversificar o currículo escolar, promovendo o acesso dos estudantes ao conhecimento científico, à cultura e à tecnologia, além de potencializar a produção e a divulgação científica.